samedi 7 novembre 2009

08 de Novembro de 2009 - 32º Domingo do Tempo Comum


A liturgia do 32º Domingo do Tempo Comum fala-nos do verdadeiro culto, do culto que devemos prestar a Deus. A Deus não interessam grandes manifestações religiosas ou ritos externos mais ou menos suntuosos, mas uma atitude permanente de entrega nas Suas mãos, de disponibilidade para os Seus projetos, de acolhimento generoso dos Seus desafios, de generosidade para doarmos a nossa vida em benefício dos nossos irmãos.

A primeira leitura apresenta-nos o exemplo de uma mulher pobre de Sarepta, que apesar da sua pobreza e necessidade, está disponível para acolher os apelos, os desafios e os dons de Deus. A história dessa viúva que reparte com o profeta os poucos alimentos que tem, garante-nos que a generosidade, a partilha e a solidariedade não empobrecem, mas são geradoras de vida, e de vida em abundância.

O Evangelho diz, através do exemplo de outra mulher pobre, de outra viúva, qual é o verdadeiro culto que Deus quer dos Seus filhos: que eles sejam capazes de Lhe oferecer tudo, numa completa doação, numa pobreza humilde e generosa (que é sempre fecunda), num despojamento de si que brota de um amor sem limites e sem condições. Só os pobres, isto é, aqueles que não têm o coração cheio de si próprios, são capazes de oferecer a Deus o culto verdadeiro que Ele espera.

A segunda leitura oferece-nos o exemplo de Cristo, o sumo-sacerdote que entregou a sua vida em favor dos homens. Ele mostrou-nos, com o seu sacrifício, qual é o dom perfeito que Deus quer e que espera de cada um dos Seus filhos. Mais do que dinheiro ou outros bens materiais, Deus espera de nós o dom da nossa vida, ao serviço desse projeto de salvação que Ele tem para os homens e para o mundo.

cf.ecclesia.pt


Livro de 1º Reis 17,10-16

Ele levantou-se e foi para Sarepta; ao chegar à entrada da cidade, eis que havia lá uma mulher viúva que andava a apanhar lenha; chamou-a e disse-lhe: «Vai arranjar-me, te peço, um pouco de água numa vasilha, para eu beber.»

Ela foi buscar a água e Elias chamou-a e disse-lhe: «Traz-me também um pedaço de pão nas tuas mãos.» Então ela respondeu: «Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão cozido; tenho apenas um punhado de farinha na panela e um pouco de azeite na ânfora; mal tenha reunido um pouco de lenha entrarei em casa para preparar esse resto para mim e para meu filho; vamos comê-lo e depois morreremos.»

Elias disse-lhe: «Não tenhas medo; vai em casa e faz como disseste. Disso que tens faz-me um pãozinho e traz-mo; depois é que prepararás o resto para ti e para o teu filho. Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘A panela da farinha não se esgotará, nem faltará o azeite na almotolia até o dia em que o Senhor mandar chuva sobre a face da terra’.»

Ela foi e fez como lhe dissera Elias: comeu ele, ela e a sua família, durante alguns dias. Nem a farinha se acabou na panela, nem o azeite faltou na almotolia, conforme dissera o Senhor pela boca de Elias.


Livro de Salmos 146,7.8-9.10

Ele é eternamente fiel à sua palavra; salva os oprimidos, dá pão aos que têm fome; o SENHOR liberta os prisioneiros.
SENHOR dá vista aos cegos, o SENHOR levanta os abatidos; o SENHOR ama o homem justo.
SENHOR protege os que vivem em terra estranha e ampara o órfão e a viúva, mas entrava o caminho aos pecadores.
SENHOR reinará eternamente! O teu Deus, ó Sião, reinará por todas as gerações!


Carta aos Hebreus 9,24-28

Na realidade, Cristo não entrou num santuário feito por mão humana, figura do verdadeiro santuário, mas entrou no próprio céu, para se apresentar agora diante de Deus em nosso favor. E nem entrou para se oferecer a si mesmo muitas vezes, tal como o Sumo Sacerdote, que entra cada ano no santuário com sangue alheio; nesse caso, deveria ter sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo. Agora, porém, na plenitude dos tempos, apareceu uma só vez para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo.

E, assim como está determinado que os homens morram uma só vez e depois tenha lugar o julgamento, assim também Cristo, que se ofereceu uma só vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá uma segunda vez, já não por causa do pecado, mas para dar a salvação àqueles que O esperam.


Evangelho segundo São Marcos 12,38-44
Continuando o seu ensinamento, Jesus dizia: «Tomai cuidado com os doutores da Lei, que gostam de exibir longas vestes, de ser cumprimentados nas praças, de ocupar os primeiros lugares nas sinagogas e nos banquetes; eles devoram as casas das viúvas a pretexto de longas orações. Esses receberão uma sentença mais severa.»

Estando sentado em frente do tesouro, observava como a multidão depositava moedas. Muitos ricos depositavam muitas. Mas veio uma viúva pobre e depositou duas moedinhas, uns tostões.

Chamando os discípulos, disse: «Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no tesouro mais do que todos os outros; porque todos depositaram do que lhes sobrava, mas ela, da sua penúria, depositou tudo quanto possuía, todo o seu sustento.»


Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Anselmo (1033-1109), monge, bispo, Doutor da Igreja

Carta 112, a Hugo, o cativo (a partir da trad. De Orval)

«Depositou tudo quanto possuía»

No Reino dos céus, todos os homens em conjunto, e como se fossem um só, serão um só rei com Deus, pois todos quererão uma só coisa e a sua vontade cumprir-se-á. Eis o bem que, do alto do céu, Deus declara pôr à venda.

Se alguém perguntar por que preço, eis a resposta: Aquele que oferece um Reino no céu não precisa de moeda terrestre. Ninguém pode dar a Deus o que já Lhe pertence, porque tudo o que existe é dEle. E, no entanto, Deus não dá coisas importantes sem que lhes seja estimado o preço: Ele não as dará a quem não as apreciar. De facto, ninguém dá coisas que lhe são queridas a quem não demonstrar ter apreço por elas. Então, e porque Deus não precisa dos teus bens, não deve dar-te uma coisa importante se desdenhares amá-Lo: Ele apenas reclama amor, e sem amor nada O obrigará a dar. Por isso, ama, e receberás o Reino. Ama, e possui-Lo-ás [...]. Ama portanto a Deus mais do que a ti mesmo, e logo começarás a ter o que queres possuir em plenitude no céu.



Fontes:



07 de Novembro de 2009 - Sábado da 31ª Semana do Tempo Comum

Carta aos Romanos 16,3-9.16.22-27


Saudai Priscila e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus, pessoas que, pela minha vida, expuseram a sua cabeça. Não sou apenas eu a estar-lhes agradecido, mas todas as igrejas dos gentios.
Saudai também a igreja que se reúne em casa deles. Saudai o meu querido Epéneto, o primeiro fruto da Ásia para Cristo.
Saudai Maria, que tanto se afadigou por vós.
Saudai Andrónico e Júnia, meus concidadãos e meus companheiros de prisão, que tão notáveis são entre os apóstolos e que, inclusivamente, se tornaram cristãos antes de mim.
Saudai Ampliato, que me é tão querido no Senhor.
Saudai Urbano, nosso colaborador em Cristo, e o meu querido Estáquio.
Saudai-vos uns aos outros com um beijo santo. Saúdam-vos todas as igrejas de Cristo. Cautela com os hereges
Saúdo-vos eu, Tércio, que escrevi esta carta, no Senhor.
Saúda-vos Gaio, que me recebe como hóspede, assim como a toda a igreja. Saúda-vos Erasto, o tesoureiro da cidade, e o irmão Quarto.
A graça do Senhor nosso Jesus Cristo esteja com todos vós! Amém. Glória a Deus!


Àquele que tem o poder para vos tornar firmes, de acordo com o Evangelho que anuncio pregando Jesus Cristo, segundo a revelação de um mistério que foi mantido em silêncio por tempos eternos, mas agora foi manifestado e, por meio dos escritos proféticos, de acordo com a determinação do Deus eterno, levado ao conhecimento de todos os gentios, para os levar à obediência da fé, ao único Deus sábio, por Jesus Cristo, a Ele a glória pelos séculos! Amém.


Livro de Salmos 145(144),2-3.4-5.10-11


Todos os dias te bendirei; louvarei o teu nome para sempre.
SENHOR é grande e digno de todo o louvor; a sua grandeza é insondável.
Cada geração contará à seguinte o louvor das tuas obras e todos proclamarão as tuas proezas.
Anunciarão o esplendor da tua majestade e eu meditarei sobre as tuas maravilhas.
Louvem-te, SENHOR, todas as tuas criaturas; todos os teus fiéis te bendigam.
Dêem a conhecer a glória do teu reino e anunciem os teus feitos poderosos (...)


Evangelho segundo São Lucas 16,9-15


«E Eu digo-vos: Arranjai amigos com o dinheiro desonesto, para que, quando este faltar, eles vos recebam nas moradas eternas. Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é infiel no pouco também é infiel no muito. Se, pois, não fostes fiéis no que toca ao dinheiro desonesto, quem vos há-de confiar o verdadeiro bem? E, se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o que é vosso? Nenhum servo pode servir a dois senhores; ou há-de aborrecer a um e amar o outro, ou dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.»


Os fariseus, como eram avarentos, ouviam as suas palavras e troçavam dele. Jesus disse-lhes: «Vós pretendeis passar por justos aos olhos dos homens, mas Deus conhece os vossos corações. Porque o que os homens têm por muito elevado é abominável aos olhos de Deus.»




Comentário ao Evangelho do dia feito por
Clemente de Alexandria (150-c. 215), teólogo

«Não podeis servir a Deus e ao dinheiro»

Há uma riqueza que semeia a morte por toda a parte em que domina: libertai-vos dela e sereis salvos. Purificai a vossa alma; tornai-a pobre para poderdes entender o apelo do Salvador que vos repete: «Vem e segue-Me» (Mc 10, 21). Ele é o caminho por onde anda aquele que tem o coração puro; a graça de Deus não entra numa alma estorvada e rasgada por uma multidão de posses.

Quem olha para a sua fortuna, o seu ouro e a sua prata, as suas casas, como dons de Deus, esse testemunha a Deus o seu reconhecimento ajudando os pobres com os seus bens. Sabe que os possui mais para os seus irmãos que para si próprio. É senhor das suas riquezas em vez de se tornar seu escravo; não as fecha na sua alma, tal como não encerra a sua vida nelas, mas prossegue sem desfalecer uma obra totalmente divina. E, se um dia a sua fortuna vier a desaparecer, aceita a ruína com um coração livre. Esse homem, Deus o declara «bem-aventurado»; chama-lhe «pobre em espírito», herdeiro do Reino dos céus (Mt 5, 3). [...]

Contrariamente, há quem acaçape a sua riqueza no seu coração, em lugar do Espírito Santo. Esse guarda as suas terras, acumula sem fim a sua fortuna, e só se preocupa em arrecadar sempre mais. Não eleva nunca os seus olhos ao céu; enterra-se no material. De fato, ele é apenas pó e ao pó há-de voltar (Gn 3,19). Como pode experimentar o desejo do Reino aquele que, no lugar do coração, traz em si um campo ou uma mina, esse que a morte surpreenderá inevitavelmente no meio dos seus desejos desregrados? «Porque onde está o teu tesouro, aí estará o teu coração» (Mt 6, 21).



Fontes:


06 de Novembro de 2009 - Sexta-feira da 31ª Semana do Tempo Comum


Carta aos Romanos 15,14-21.
No que vos toca, meus irmãos, estou pessoalmente convencido de que vós próprios estais cheios de boa vontade, repletos de toda a espécie de conhecimento e com capacidade para vos aconselhardes uns aos outros.
Apesar disso, escrevi-vos, em parte, com um certo atrevimento, como alguém que vos reaviva a memória. Faço-o em virtude da graça que me foi dada:
ser para os gentios um ministro de Cristo Jesus, que administra o Evangelho de Deus como um sacerdote, a fim de que a oferenda dos gentios, santificada pelo Espírito Santo, lhe seja agradável.
É, pois, em Cristo Jesus que me posso gloriar de coisas que a Deus dizem respeito.
Eu não me atreveria a falar de coisas que Cristo não tivesse realizado por meu intermédio, em palavras e acções, a fim de levar os gentios à obediência,
pela força de sinais e prodígios, pela força do Espírito de Deus. Foi assim que, desde Jerusalém e, irradiando até à Ilíria, dei plenamente a conhecer o Evangelho de Cristo.
Mas, ao fazê-lo, tive a maior preocupação em não anunciar o Evangelho onde já era invocado o nome de Cristo, para não edificar sobre fundamento alheio.
Pelo contrário, fiz conforme está escrito: Aqueles a quem ele não fora anunciado é que hão-de ver e aqueles que dele não ouviram falar é que hão-de compreender. Participação nos planos do Apóstolo

Livro de Salmos 98,1.2-4.
Cantai ao SENHOR um cântico novo, porque Ele fez maravilhas! A sua mão direita e o seu santo braço lhe deram a vitória.
O SENHOR anunciou a sua vitória, revelou aos povos a sua justiça.
Lembrou se do seu amor e da sua fidelidade em favor da casa de Israel. Todos os confins da terra presenciaram o triunfo libertador do nosso Deus.
Aclamai o SENHOR, terra inteira, exultai de alegria e cantai.

Evangelho segundo S. Lucas 16,1-8.
Disse ainda Jesus aos discípulos: «Havia um homem rico, que tinha um administrador; e este foi acusado perante ele de lhe dissipar os bens.
Mandou-o chamar e disse-lhe: 'Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar.'
O administrador disse, então, para consigo: 'Que farei, pois o meu senhor vai tirar-me a administração? Cavar não posso; de mendigar tenho vergonha.
Já sei o que hei de fazer, para que haja quem me receba em sua casa, quando for despedido da minha administração.'
E, chamando cada um dos devedores do seu senhor, perguntou ao primeiro: 'Quanto deves ao meu senhor?' Ele respondeu:
Cem talhas de azeite.' Retorquiu-lhe: 'Toma o teu recibo, senta-te depressa e escreve cinquenta.'
Perguntou, depois, ao outro: 'E tu quanto deves?' Este respondeu: 'Cem medidas de trigo.' Retorquiu-lhe também: 'Toma o teu recibo e escreve oitenta.'
O senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. É que os filhos deste mundo são mais sagazes que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes.»



Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, Doutora da Igreja

Manuscrito autobiográfico B, 4v°

O bom uso das riquezas

Ó Jesus! Bem sei, o amor só com amor se paga. Por isso procurei e encontrei a maneira de aliviar o meu coração dando-te Amor por Amor. - «Utilizai as riquezas que pervertem para arranjardes amigos que vos recebam nas moradas eternas» (Lc16, 9). Eis, Senhor, o conselho que dás aos Teus discípulos depois de lhes teres dito que «os filhos das trevas são mais hábeis nos seus negócios que os filhos da luz». Filha da luz, compreendi que os meus desejos de ser tudo, de abraçar todas as vocações, eram riquezas que me poderiam perverter. Por isso servi-me delas para arranjar amigos. [...]

Lembrando-me da petição de Eliseu ao seu pai Elias quando ousou pedir-lhe «o seu duplo espírito» (2Rs 2, 9), apresentei-me diante dos Anjos e dos Santos, e disse-lhes: «Sou a mais pequena das criaturas; conheço a minha miséria e a minha fraqueza; mas sei também quanto os corações nobres e generosos gostam de fazer bem. Suplico-vos, portanto, ó bem-aventurados habitantes do Céu! Suplico-vos que me adopteis como filha. Só para vós será a glória que me fizerdes alcançar; mas dignai-vos atender a minha prece. É temerária, bem sei: contudo, ouso pedir-vos que me obtenhais o vosso duplo Amor»



Fontes:


05 de Novembro de 2009 - Quinta-feira da 31ª Semana do Tempo Comum



Carta aos Romanos 14,7-12.
De facto, nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum morre para si mesmo.
Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; e se morremos, é para o Senhor que morremos. Ou seja, quer vivamos quer morramos, é ao Senhor que pertencemos.
Pois foi para isto que Cristo morreu e voltou à vida: para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos.
Mas tu, porque julgas o teu irmão? E tu, porque desprezas o teu irmão? De facto, todos havemos de comparecer diante do tribunal de Deus,
pois está escrito: Tão certo como Eu vivo, diz o Senhor, todo o joelho se dobrará diante de mim e toda a língua dará a Deus glória e louvor.
Portanto, cada um de nós terá de dar contas de si mesmo a Deus. Unidos no amor

Livro de Salmos 27,1.4.13-14.
O SENHOR é minha luz e salvação: de quem terei medo? O SENHOR é o baluarte da minha vida: quem me assustará?
Uma só coisa peço ao SENHOR e ardentemente a desejo: é habitar na casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para saborear o seu encanto e ficar em vigília no seu templo.
Creio, firmemente, vir a contemplar a bondade do SENHOR, na terra dos vivos.
Confia no SENHOR! Sê forte e corajoso, e confia no SENHOR!

Evangelho segundo S. Lucas 15,1-10.
Aproximavam-se dele todos os cobradores de impostos e pecadores para o ouvirem.
Mas os fariseus e os doutores da Lei murmuravam entre si, dizendo: «Este acolhe os pecadores e come com eles.»
Jesus propôs-lhes, então, esta parábola:
«Qual é o homem dentre vós que, possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai à procura da que se tinha perdido, até a encontrar?
Ao encontrá-la, põe na alegremente aos ombros
e, ao chegar a casa, convoca os amigos e vizinhos e diz-lhes: 'Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida.'
Digo-vos Eu: Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão.»
«Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perde uma, não acende a candeia, não varre a casa e não procura cuidadosamente até a encontrar?
E, ao encontrá-la, convoca as amigas e vizinhas e diz: 'Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida.'
Digo-vos: Assim há alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte.»




Comentário ao Evangelho do dia feito por
Ludolfo de Saxe (c. 1300-1378), dominicano depois Cartuxo em Estrasburgo

Orações a Jesus Cristo, CLD (a partir da trad. Oury, pp. 48-49)

Vem procurar a Tua ovelha perdida

Senhor Jesus Cristo, que, para nos mostrares o cume das virtudes, escalaste a montanha com os Teus discípulos, ensinando-lhes as Beatitudes e as virtudes sublimes, prometendo-lhes recompensas próprias a cada um, concede que a minha fragilidade escute a Tua voz, adquira pela prática o mérito das virtudes, e que pela Tua misericórdia obtenha a recompensa prometida. Faz que, considerando o salário, não recuse o esforço do trabalho. Faz com que a esperança da salvação eterna me adoce o amargor do remédio, inflamando a minha alma com o esplendor da Tua obra. Senhor, do miserável que sou, faz um venturoso; conduz-me, pela Tua graça, das beatitudes terrenas às beatitudes da pátria.

Vem, Senhor Jesus, à procura do Teu servo, à procura da Tua ovelha errante e extenuada. Vem, Esposo da Igreja, à procura da dracma perdida. Vem, Pai de misericórdia, receber o filho pródigo que retorna a Ti. Vem, Senhor, porque só Tu podes chamar a ovelha que se extravia, reencontrar a dracma perdida, reconciliar o filho que partiu. Vem, para que haja salvação sobre a terra e alegria no céu! Converte-me a Ti e concede-me cumprir uma verdadeira e perfeita penitência, de modo que seja ocasião de alegria para os anjos. Meu doce Jesus, a Quem amo exclusivamente e acima de tudo, eu, pecador, rogo-Te, pela imensidade do Teu amor, que seja apenas consolado por Ti, meu tão doce Deus!


Fontes:


mardi 3 novembre 2009

04 de Novembro de 2009 - Quarta-feira da 31ª Semana do Tempo Comum


Primeira leitura (Romanos 13,8-10)

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.

Irmãos,
8não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo – pois quem ama o próximo está cumprindo a Lei. 9De fato, os mandamentos: “Não cometerás adultério”, “Não matarás”, “Não roubarás”, “Não cobiçarás”, e qualquer outro mandamento se resumem neste: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo”. 10O amor não faz nenhum mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento perfeito da Lei.

- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.


Salmo (Salmos 111)

— Feliz quem tem piedade e empresta!
— Feliz quem tem piedade e empresta!

— Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho a sua lei! Sua descendência será forte sobre a terra, abençoada a geração dos homens retos!
— Ele é correto, generoso e compassivo, como luz brilha nas trevas para os justos. Feliz o homem caridoso e prestativo, que resolve seus negócios com justiça.
— Ele reparte com os pobres os seus bens, permanece para sempre o bem que fez, e crescerão a sua glória e seu poder.


Evangelho (Lucas 14,25-33)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 25grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse:26“Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo.
28Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, 29ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: 30‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’
31Ou ainda: Qual rei que, ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? 32Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. 33Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.


Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Boaventura (1221-1274), franciscano, Doutor da Igreja

A Vida de São Francisco, Legenda major, ch. 2 (a partir da trad. Vorreux et Desbonnets, Documents, Eds. Franciscaines 1968, p. 576 rev.)

São Francisco renuncia a tudo para seguir Cristo

O pai de Francisco queria que ele comparecesse perante o bispo para renunciar a todos os seus direitos de herdeiro e lhe restituísse o que ainda possuía. Como verdadeiro amante da pobreza, Francisco presta-se de boa vontade à cerimónia, apresenta-se no tribunal do bispo e, sem esperar um momento nem hesitar sobre fosse o que fosse, sem esperar por uma ordem nem pedir qualquer explicação, despe todas as suas roupas e entrega-as ao seu pai. [...] Cheio de fervor, levado pela embriaguez espiritual, descalça também os sapatos e, completamente nu perante a assistência, declara ao seu pai: «Até agora chamei-te pai na Terra; doravante poderei dizer com segurança: 'Pai Nosso que estais no Céu', pois foi a ele que confiei o meu tesouro e entreguei a minha fé».

O bispo, homem santo e muito digno, chorava de admiração ao ver os excessos a que o levava o seu amor a Deus; levantou-se, tomou o jovem nos seus braços, cobriu-o com o seu casaco e mandou buscar algo para lhe vestir. Trouxeram-lhe um pobre casaco de burel de um camponês que estava ao serviço do bispo. Francisco recebeu-o com gratidão e, apanhando em seguida do chão um pedaço de giz, traçou nele uma cruz; esta veste significava este homem crucificado, este pobre meio despido. Foi assim que o servidor do Grande Rei ficou nu para caminhar atrás do seu Senhor, pregado nu à cruz.



Fontes:




lundi 2 novembre 2009

03 de Novembro de 2009 - Terça-feira da 31ª Semana do Tempo Comum


Carta aos Romanos 12,5-16


Assim acontece conosco: os muitos que somos formamos um só corpo em Cristo, mas, individualmente, somos membros que pertencem uns aos outros. Temos dons que, consoante a graça que nos foi dada, são diferentes: se é o da profecia, que seja usado em sintonia com a fé; se é o do serviço, que seja usado a servir; se um tem o de ensinar, que o use no ensino; se outro tem o de exortar, que o use na exortação; quem reparte, faça-o com generosidade; quem preside, faça-o com dedicação; quem pratica a misericórdia, faça-o com alegria.

Que o vosso amor seja sincero. Detestai o mal e apegai-vos ao bem.

Sede afetuosos uns para com os outros no amor fraterno; adiantai-vos uns aos outros na estima mútua. Não sejais preguiçosos na vossa dedicação; deixai-vos inflamar pelo Espírito; entregai-vos ao serviço do Senhor. Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração. Partilhai com os santos que passam necessidade; aproveitai todas as ocasiões para serdes hospitaleiros.

Bendizei os que vos perseguem; bendizei, não amaldiçoeis. Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram. Preocupai-vos em andar de acordo uns com os outros; não vos preocupeis com as grandezas, mas entregai-vos ao que é humilde; não vos julgueis sábios por vós mesmos.



Livro de Salmos 131,1.2.3


SENHOR, o meu coração não é orgulhoso, nem os meus olhos são altivos; não corro atrás de grandezas ou de coisas superiores a mim.
Pelo contrário, estou sossegado e tranquilo, como criança saciada ao colo da mãe; a minha alma é como uma criança saciada!
Israel, espera no Senhor, desde agora e para sempre!


Evangelho segundo São Lucas 14,15-24


Ouvindo isto, um dos convidados disse-lhe: «Feliz o que comer no banquete do Reino de Deus!»

Ele respondeu-lhe: «Certo homem ia dar um grande banquete e fez muitos convites. À hora do banquete, mandou o seu servo dizer aos convidados: 'Vinde, já está tudo pronto.' Mas todos, unanimemente, começaram a esquivar-se. O primeiro disse: 'Comprei um terreno e preciso de ir vê-lo; peço-te que me dispenses.' Outro disse: 'Comprei cinco juntas de bois e tenho de ir experimentá-las; peço-te que me dispenses.' E outro disse: 'Casei-me e, por isso, não posso ir.'

O servo regressou e comunicou isto ao seu senhor. Então, o dono da casa, irritado, disse ao servo: 'Sai imediatamente às praças e às ruas da cidade e traz para aqui os pobres, os estropiados, os cegos e os coxos.' O servo voltou e disse-lhe: Senhor, está feito o que determinaste, e ainda há lugar.'

E o senhor disse ao servo: 'Sai pelas estradas e atalhos e obriga-os a entrar, para que a minha casa fique cheia.' Pois digo-vos que nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete.»



Comentário ao Evangelho do dia feito por
Balduíno de Ford (?- c. 1190), abade cisterciense

O Sacramento do Altar, II, 3; PL 204, 691 (a partir da trad. de Orval; cf. SC 93, p. 255)

«Feliz o que comer no banquete do Reino de Deus!»

O salmista diz: «O vinho alegra o coração do homem [...] e o pão robustece-lhe as forças» [Sl 104 (103), 15]. Para aqueles que crêem Nele, Cristo é alimento e bebida, pão e vinho. É pão porquanto dá força e firmeza, conforme a seguinte palavra de Pedro: «Depois de terdes padecido por um pouco de tempo, o Deus que é todo graça, e vos chamou em Jesus Cristo à Sua eterna glória, há-de restabelecer-vos e consolidar-vos, tornar-vos firmes e fortes» (1Pe 5, 10). É bebida e vinho porquanto dá alegria, segundo a expressão do salmista: «Alegra o espírito do teu servo, pois para ti, Senhor, elevo a minha alma» [Sl 86 (85), 4].

Tudo o que em nós é forte, sólido, firme, alegre e feliz para cumprir os mandamentos de Deus, suportar os males, agir de acordo com a obediência e defender a justiça, tudo isso vem da força deste pão ou da alegria deste vinho. Felizes aqueles cujas ações são fortes e alegres! E, uma vez que ninguém é capaz de o fazer por si mesmo, felizes os que desejam avidamente agarrar-se ao que é justo e honesto e ser, em todas as coisas, fortificados e deleitados por Aquele que diz: «Felizes os que têm fome e sede de justiça» (Mt 5, 6). Se Cristo é, desde já, pão e bebida que dá força e alegria aos justos, quanto mais o será na vida futura, quando Se der, Ele próprio, sem medida, aos justos?



Fontes:


dimanche 1 novembre 2009

02 de Novembro de 2009 - Seguda-feira da 31ª Semana do Tempo Comum - Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos


Livro de Sabedoria 3,1-9


As almas dos justos estão nas mãos de Deus e nenhum tormento os atingirá.
Aos olhos dos insensatos pareceram morrer, a sua saída deste mundo foi tida como uma desgraça,
a sua morte, como uma derrota. Mas eles estão em paz.
Se aos olhos dos homens foram castigados, a sua esperança estava cheia de imortalidade.
Depois de terem sofrido um pouco, receberão grandes bens, pois Deus os provou e achou dignos de si.
Ele os provou como ouro no crisol e aceitou-os como um holocausto.
No tempo da intervenção de Deus, os justos resplandecerão e propagar-se-ão como centelhas através da palha.
Julgarão as nações e dominarão os povos, e o Senhor reinará sobre eles para sempre.
Aqueles que nele confiam compreenderão a verdade, e os que são fiéis no amor habitarão com Ele, pois a graça e a misericórdia são para os seus eleitos.


Livro de Salmos 27,1.4.7.8.9.13-14


O SENHOR é minha luz e salvação: de quem terei medo? O SENHOR é o baluarte da minha vida: quem me assustará?
Uma só coisa peço ao SENHOR e ardentemente a desejo: é habitar na casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para saborear o seu encanto e ficar em vigília no seu templo.
Ouve, SENHOR, a voz da minha súplica, tem compaixão de mim e responde-me.
O meu coração murmura por ti, os meus olhos te procuram; é a tua face que eu procuro, SENHOR.
Não desvies de mim o teu rosto, nem afastes, com ira, o teu servo. Tu és o meu amparo: não me rejeites nem abandones, ó Deus, meu salvador!
Creio, firmemente, vir a contemplar a bondade do SENHOR, na terra dos vivos.
Confia no SENHOR! Sê forte e corajoso, e confia no SENHOR!


Carta aos Romanos 6,3-9


Ou ignorais que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte? Pelo Batismo fomos, pois, sepultados com Ele na morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela glória do Pai, também nós caminhemos numa vida nova.

De fato, se estamos integrados nele por uma morte idêntica à sua, também o estaremos pela sua ressurreição. É isto o que devemos saber: o homem velho que havia em nós foi crucificado com Ele, para que fosse destruído o corpo pertencente ao pecado; e assim não somos mais escravos do pecado. É que quem está morto está justificado do pecado.

Mas, se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos. Sabemos que Cristo, ressuscitado de entre os mortos, já não morrerá; a morte não tem mais domínio sobre Ele.


Evangelho segundo São Mateus 25,31-46


«Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os seus anjos, há de sentar-se no seu trono de glória. Perante Ele, vão reunir-se todos os povos e Ele separará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. À sua direita porá as ovelhas e à sua esquerda, os cabritos.

O Rei dirá, então, aos da sua direita: 'Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo.’

Então, os justos vão responder-lhe: 'Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber?

Quando te vimos peregrino e te recolhemos, ou nu e te vestimos?

E quando te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-te?’

E o Rei vai dizer-lhes, em resposta: 'Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.’



Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Ireneu de Lião (c. 130-c. 208),
bispo, teólogo e mártir

Contra as Heresias V, 2, 3 (a partir da trad.
de SC 153, pp. 37ss. rev.)

Como o grão de trigo

Uma vez plantada na terra, a cepa dá fruto a seu tempo. Da mesma forma, o grão de trigo, depois de ter caído à terra e de se ter dissolvido nela (Jo 12, 24), ressurge multiplicado pelo Espírito de Deus que tudo mantém. Depois, graças a um trabalho competente, esses frutos tornam-se utilizáveis pelos homens; seguidamente, recebendo a Palavra de Deus, tornam-se Eucaristia, quer dizer, corpo e sangue de Cristo.

Da mesma forma, os nossos corpos, alimentados por essa Eucaristia, após deitados à terra e nela dissolvidos, ressuscitarão a seu tempo quando o Verbo de Deus lhes conceder a graça da ressurreição «para glória de Deus Pai» (Fil 2, 11). Porque Ele obterá a imortalidade para o que é mortal e a incorruptibilidade para o que é corruptível (1Cor 15, 53), porque a força de Deus manifesta-se na fraqueza (2Cor 12, 9).

Sendo assim, acautelar-nos-emos de nos inflarmos de orgulho – como se fosse de nós mesmos que obtivéssemos a vida – e de nos levantarmos contra Deus, mantendo pensamentos de ingratidão. Pelo contrário, sabendo por experiência que é exclusivamente através Dele [...] que recebemos o dom de viver eternamente, nunca nos afastaremos dos pensamentos verazes sobre Deus e sobre nós mesmos. Conheceremos o poder de Deus e quantos benefícios Dele recebe o homem. Não nos equivocaremos a respeito da verdadeira concepção que é necessário ter de Deus e do homem. Aliás [...], se Deus permitiu a nossa decomposição na terra, não será precisamente para que, sabendo tudo isso, estivéssemos doravante atentos a tudo, de forma a não menosprezarmos nem a nós mesmos, nem Deus? [...] Se o cálice e o pão, pela Palavra de Deus, se tornam Eucaristia, como pretender que a carne é incapaz de receber a vida eterna?



Fontes: